SIMPI RO: REDUZIR A JORNADA É FÁCIL, DIFICIL É PAGAR A CONTA - LEIA!

Postada em 20 maio 2026, 13:38:00

Fonte/Texto: Assessoria

Foto: Ilustrativa

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João Carlos Laino Presidente do Simpi MT, nos envia o texto para reflexão: O debate sobre a redução da jornada de trabalho ganhou força no Brasil. A proposta parece simples: trabalhar menos dias e manter o mesmo salário. Na superfície, a ideia é atraente. Afinal, quem não deseja mais tempo para a família, descanso e qualidade de vida? Mas existe uma pergunta que o país precisa enfrentar com maturidade: O Brasil de hoje possui estrutura econômica para suportar essa mudança sem gerar consequências graves para a própria população? Essa é a discussão que precisa sair do campo da emoção e entrar no campo da realidade.

O problema não está no desejo legítimo de melhorar a vida do trabalhador. O problema está na forma como uma mudança dessa dimensão pode ser implantada em um país com baixa produtividade, alta informalidade, forte dependência de pequenos negócios e graves limitações fiscais. Toda mudança econômica gera custo. E, quando esse custo não é devidamente planejado, ele não desaparece.

 

Ele apenas muda de lugar. No início, parece que a conta será paga apenas pelas empresas. Mas, na prática, ela tende a ser distribuída por toda a sociedade. A pequena empresa, que já enfrenta carga tributária elevada, dificuldade de crédito, insegurança jurídica e baixo consumo, terá mais dificuldade para absorver aumento de custos operacionais.

 

Muitas conseguirão se adaptar. Outras reduzirão investimentos. Algumas poderão fechar as portas. Quando isso acontece, os impactos chegam rapidamente ao trabalhador:

•         menos vagas formais;

•         aumento da informalidade;

•         pressão sobre salários;

•         aumento de preços;

•         redução do poder de compra.

E quem mais sofre nesse processo é justamente a população mais pobre e vulnerável, porque é ela que sente primeiro:

•         a inflação no supermercado;

•         a dificuldade de conseguir emprego;

•         a piora dos serviços públicos;

•         o aumento do custo de vida.

É preciso compreender um ponto central:

Consumo sustentável não nasce de discursos. Nasce de produtividade, crescimento econômico e aumento real de renda. Nenhum país consegue distribuir riqueza que ainda não produziu. Por isso, discutir jornada de trabalho sem discutir produtividade é inverter a lógica econômica. Antes de reduzir o tempo de trabalho de forma ampla e imediata, o Brasil precisa enfrentar desafios estruturais históricos:

•         modernização produtiva;

•         qualificação profissional;

•         simplificação tributária;

•         redução do custo Brasil;

•         fortalecimento da indústria;

•         incentivo à inovação;

•         segurança jurídica;

•         eficiência do Estado.

Sem isso, existe o risco de transformar uma proposta social legítima em mais pressão econômica sobre quem já vive no limite. O verdadeiro debate não é “ser contra” ou “ser a favor” da melhoria da qualidade de vida. O verdadeiro debate é: Como fazer isso sem destruir empregos, enfraquecer empresas e aumentar ainda mais o custo de vida da população?Mudanças estruturais exigem responsabilidade, estudos técnicos, diálogo setorial e planejamento gradual.

 

O Brasil precisa de soluções sustentáveis, não de atalhos políticos.Porque, no final, quando a economia perde equilíbrio, a conta nunca fica concentrada apenas nas empresas ou no governo. Ela chega à mesa do cidadão comum. E é justamente o trabalhador mais simples quem normalmente paga a parte mais pesada dessa conta.

 

Assista: 

https://youtu.be/CEsWffhoKQ0

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