O Comitê de Enfrentamento da Sífilis realizou a reunião mensal, na última semana, para analisar o cenário das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ITSs) no município.  O comitê, que é composto por representantes dos serviços de Saúde do município, tem como objetivo propor estratégias para o controle das ISTs.

“A sífilis é uma doença infectocontagiosa, sexualmente transmissível, que pode levar à morte se não tratada a tempo. É especialmente perigosa quando a infecção ocorre em gestantes. O comportamento de risco, principalmente a falta do uso de preservativo, tem causado o aumento do número de casos de sífilis e outras ISTs em nosso município”, alertou Valdeane Souza Macedo, diretora da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa).

Segundo os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), até o mês de outubro, já foram notificados um total de 172 casos de sífilis em Ji-Paraná. Um aumento de aproximadamente 35%, em comparação a todo o ano de 2020, quando foram confirmados 127 casos da doença no município.

“O cenário fica mais preocupante ainda, uma vez que, deste total, 40 casos diagnosticados foram em gestantes, enquanto no ano passado, foram tratadas 22 gestantes com sífilis no município”, detalhou a diretora da Divisão de Vigilância Epidemiológica.

Quando ocorre abandono de tratamento, ou o diagnóstico tardio, o recém-nascido de mãe portadora de sífilis necessita de acompanhamento especializado, pois está sujeito a ter má formação e até mesmo óbito. Em 2020, foi notificado apenas um caso de recém-nascido no município que precisou de acompanhamento. Neste ano, de janeiro a outubro, já foram registradas quatro crianças em acompanhamento.

Com relação ao diagnóstico de outras infecções sexualmente transmissíveis, também se observa um aumento significativo no número de casos de hepatites virais, que em 2020 somaram 54 casos diagnosticados, enquanto, até outubro de 2021, já são 63 pacientes residentes no município.

“Com relação ao HIV, em 2020 foram diagnosticados 95 novos casos, e neste ano são, até o momento, 43 registros.  Quem tem relação sexual desprotegida pode contrair uma IST. Não importa idade, estado civil, classe social, identidade de gênero, orientação sexual, credo ou religião. A pessoa pode estar aparentemente saudável, mas pode estar infectada por uma IST”, destacou Marcia Gisele Peixoto, enfermeira da Divisão de Vigilância Epidemiológica.

Marcia ainda destacou que existem maneiras complementares de se proteger, além da camisinha, mas que o uso do preservativo é uma das maneiras mais eficazes de prevenção às ISTs.

“As pessoas pensam que sexo seguro é somente o uso exclusivo de preservativos. E embora esse cuidado represente uma maneira bastante eficaz de prevenção das IST, também existem outros cuidados, como a vacinação contra as hepatites e o HPV, de acordo com a faixa etária, a testagem regular para as IST, disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde [UBS] do município, a realização do exame preventivo para as mulheres, e quando houver um diagnóstico de qualquer condição infecciosa, o tratamento precoce, a fim de evitar complicações e principalmente de interromper a cadeia de transmissão”, explicou a enfermeira.

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