Ao contrário do que muitos pensam, eu não tenho pessoalmente nada contra o senador Acir Gurgacz, assim como não tenho contra Confúcio Moura ou qualquer outro que já tenha sido criticado por mim em PAINEL POLÍTICO. Tenho discordâncias em relação a atuação política ou atos criminosos que tenham sido praticados, e meu papel como jornalista é o de informar, e cabe aos leitores (e eleitores) decidirem o futuro político dessas pessoas.

Em relação ao senador Acir Gurgacz minhas discordâncias políticas são pequenas, e o caso dele merece uma reflexão. Acir e sua família geram milhares de empregos no Brasil. Eles integram uma categoria que é taxada de “bandidos”, que é a classe empresarial. Mas ser empresário no Brasil é um desafio hercúleo, e quem já navegou nestas águas sabe bem disso. O Estado é o sócio majoritário, aquele sócio preguiçoso, perdulário, que coloca o outro em apuros para poder fechar as contas no fim do mês.

Para resumir, o crime de Acir Gurgacz foi o de ter sido empresário. Ele foi acusado de ter sido fiador de um empréstimo feito no BASA, uma instituição pública, pela empresa da família. Os valores foram integralmente devolvidos, portanto não houve “desvio de recursos”, ocorreu “desvio de finalidade”. Mas Gurgacz esbarrou em outro problema, o político. Não fosse ele senador, dificilmente estaria preso, já que não houve dolo e o empréstimo foi pago. E também não houve “conspiração” como ele tentou fazer crer durante o processo eleitoral, mas ao tecer críticas públicas a pessoa do ministro Alexandre de Moraes, ele chamou a coisa para o lado pessoal.

Mas, voltando a questão empresarial. Temos no Brasil, e isso não é nenhuma novidade, uma altíssima carga tributária. Se tivéssemos o modelo europeu ou americano de transparência que é dado ao consumidor na hora de comprar um produto, os brasileiros ficariam revoltados, e possivelmente ocorreriam protestos maciços por todo o país. Tanto na Europa quanto EUA, ao comprar um celular por exemplo, vem discriminado na nota o que é imposto federal, estadual, municipal e o valor do produto. Portanto, o consumidor tem clareza do que está pagando.

TAX = IMPOSTO – Alguns estados detalham melhor as notas

A carga tributária obscena a qual os empresários são submetidos ainda tem um agravante, o paternalismo estatal em relação aos trabalhadores. Entenda, se o Estado achacasse menos, os salários poderiam ser bem melhores, assim como as condições de trabalho. O que impede essa melhoria é exatamente a sangria estatal sobre as empresas. Gigantes multinacionais, ou gigantes nacionais sofrem o mesmo problema, mas eles colocam na conta do consumidor todos os prejuízos causados por ações trabalhistas, danos morais e impostos, sem contar que conseguem financiamentos a juros europeus no Brasil. Além disso, contam com um corpo jurídico e contábil vitaminado, que lhes garante saúde financeira e lucros exorbitantes. Já o empresário grande e médio, a depender do setor em que atua, não tem muita margem de manobra, e a saúde da empresa, na maioria das vezes, é frágil. É aquele jovem que brinca, joga bola, mas qualquer vento mais frio o deixa de cama. E se derem duas friagens, ele pega pneumonia e morre. Os empresários brasileiros vivem no limite. E nem vamos entrar na discussão da corrupção praticada por alguns servidores públicos que exigem propinas para “liberar processos”, ou “dar aquele jeitinho”.

Acir Gurgacz é culpado sim. De ter misturado negócios com política. É culpado de não ter entendido isso quando foi alertado. Mas de uma coisa ele não tem culpa, a de ter roubado dinheiro. Esse ele devolveu. E ele também é culpado de ser empresário em um país onde bandidos de verdade roubam recursos públicos sem nunca terem gerado um emprego sequer, ou mesmo de ter trabalhado na vida de verdade.

Foto:

Pedro França

Agência Senado

Painel Político